
Tudo é mera fantasia,
já dizia meu irmão.
Um sonho colorido,
uma escada sem corrimão.
E a gente sobe, sobe...
Numa
ascensão de vida
ou de morte,
correndo todos
pr'um lugar comum.
E sem a gente atinar
a escada vai ficando mais estreita
a cada degrau.
Até que a gente se dá conta
e pára pra pensar...
Seu instinto faz você continuar subindo,
seu espaço reduzindo,
seu ar rarefeito
e você resolve voltar!
Quando olha pra trás
vê que os degraus não existem mais.
Eles apodreceram,
evaporaram.
Só há o tempo
e o espaço que ficou.
Sua única alternativa é continuar subindo.
E você sobe mais devagar,
retardando o último degrau.
Aquele em que só cabe um pé seu.
Você olha em volta
e vê várias escadas soltas no ar.
E várias pessoas subindo:
mulheres, crianças, homens, plantas
e animais...
E você não pode sair de onde está.
Os degraus estreitos, que neles só cabem seus pés.
Até que você chega ao último degrau.
Naquele em que só cabe um pé seu.
Você se equilibra nesse pé.
Quando
cansa dá um
pulinhoe troca de pé.
Até que não dá mais pé.
O cansaço é maior
e o alívio torna-se desejo.
E você se joga no infinito do espaço...